Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009

05/11/2009 - 06h20

O MST e a autocrítica de Stédile

“É puerilidade alegar-se que a mídia estará sempre contra o MST, faça o que fizer. Denúncias descabidas não causam maiores estragos, pois o público já deixou de confiar cegamente nos veículos de comunicação”

Celso Lungaretti*

Entrevistado pela TV Brasil, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra, João Pedro Stédile, admitiu que a destruição dos laranjais da Cutrale foi "um equívoco" e "uma atitude desesperada".

Segundo ele, os militantes do MST encontravam-se acampados na região de Iaras (interior paulista) há seis anos, sem atendimento de suas demandas, e perderam a cabeça ao serem informados, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, de que a terra ocupada pela Cutrale era grilada:

"Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio Incra de que a área é da União desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais".

Stédile admite que tal descontrole acabou fornecendo um trunfo poderoso para a propaganda adversa:

"Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem aos interesses da burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, com o uso de helicóptero, e nos execraram na opinião pública".

Também denuncia que os danos constatados nas casas dos trabalhadores foram produzidos depois da saída dos militantes, no intervalo entre a desocupação e a chegada da imprensa, quando "ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora".

O certo é que há muito deveria ter caído esta ficha para os dirigentes do MST: como atuam na contramão dos interesses dominantes, todos os trunfos que fornecerem aos inimigos serão magnificados e explorados ao máximo pela indústria cultural.

A lição já poderia ter sido aprendida quando da depredação dos pedágios ou da invasão da Câmara dos Deputados: ações desse tipo vão sempre aparecer com destaque no Jornal Nacional, nas manchetes de jornais e nas capas de revistas, servindo como estopim de campanhas reacionárias contra o MST.

É puerilidade alegar-se que a mídia estará sempre contra o MST, faça o que fizer. Denúncias descabidas não causam maiores estragos, pois o público já deixou de confiar cegamente nos veículos de comunicação.

Agora, quando se fornecem imagens tão chocantes como as da destruição dos laranjais, o inimigo é competente para extrair delas total proveito. Como agora, ao conseguir a convocação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Corações e mentes

A maior vitória conquistada nas últimas décadas contra o sistema, em países desenvolvidos, foi o repúdio à intervenção estadunidense no Sudeste Asiático: o país mais poderoso do mundo foi obrigado a se retirar de uma guerra que seus jovens não queriam travar.

A conquista dos corações e mentes teve importância fundamental: aos poucos, a população foi convencida de que nada justificava aquele morticínio, até que o complexo industrial-militar teve de curvar-se à vontade da maioria.

Isso foi possível porque os contestadores geralmente atuaram com criatividade e discernimento: sabiam que o objetivo último de suas demonstrações era sensibilizar os neutros, os indecisos, os indiferentes e os antagonistas não muito convictos.

Então, não era fácil para a imprensa passar, deles, uma imagem tão negativa quanto gostaria.

Cabe ao MST incutir nos militantes a noção de que suas manifestações públicas devem também priorizar a conquista dos corações e mentes, angariando simpatia para a causa ao invés de acentuar as rejeições.

Stédile fez, com muita propriedade, a autocrítica que se impunha. Falta o MST fazer a autocrítica na prática, passando a conviver de forma menos amadoresca com a tendenciosidade da indústria cultural.

* Jornalista e escritor, Celso Lungaretti mantém os blogues Náufrago da Utopia e O Rebate.

paco (08/11/2009 - 18h46)

O mst deveria esta todo mundo na cadeia,esta turma de terrorista e ainda se diz trabalhadores rurais.

clavius (07/11/2009 - 00h46)

O MST PRECISA TER SEUS ACECLAS SUBMETIDOS A UMATRIAGEM,FEITA EXTERNAMENTE, POIS TEM NAS SUAS FILEIRAS, BANDIDOS, TRABALHADORES COMUM DA CIDADE, AVENTUREIROS QUE DESEJAM UMA "CHACRINHA", PESSOAS UE NÃO SABE DIFERENCIAS UM PÉ DE COUVE DE UM DE TITRIRICA, ATÉ FUNCIONARIOS PÚBLICOS, ENFIM TRATA-SE DE UMA ORGANIZAÇÃO QUE, NEM 10$ TEM CONHECIMENTO DO QUE É PLANTAR

Melo (06/11/2009 - 17h36)

O Stédile é um dinossauro, morreu e esqueceram de enterrá-lo. O socialismo está provado, não traz prosperidade. Foi apenas uma experiência romântica, coisa de sonhadores, sem pé na realidade. O seu MST é um meio de ganhar dinheiro, aliciando inocentes, tolos que pensam em ficar ricos, sem estudar e sem trabalhar duro. Lauro Melo

Eduardo (06/11/2009 - 11h43)

As pessoas parecem esquecer que o MST não é um teatrinho, é um movimento revolucionário e com um objetivo bem complicado: implantar a refórma agrária no país dos latifundios e injustiça social. Não existem argumentos quando se fala em desapropriação de terras privadas, a conversa acaba quando o dono da terra alega: isso é meu por direito, comprei, herdei e faço o que quiser com isso, tanto o dono da terra quanto o povo que dela necessita para prosperar estão cobertos de razão…se papo resolvesse tudo não existiriam guerras, ou o governo assume a causa pelo bem de todos (principalmente no interesse do povo) reúne as duas partes e encontra a solução real ou “equivocos” (tanto de um lado quanto do outro) não irão se repetir, simplesmente porque mesmo que os meios sejam discutiveis e um tanto equivocados em alguns casos “a causa do movimento é justa”, reforma agrária “real” é necessária nesse país, todo mundo sabe disso, adiar isso de nada resolve….Quanto ao Brasil, jamais seremos Cuba, isso aqui não é uma ilha , isso aqui é um país de dimensões continetais, riquezas minerais sem fim , uma industria fortissima, terra prá plantar que não acaba mais, já estamos entre os 10 primeiros países do mundo economicamente falando mas em termos de distribuição de renda paradoxalmente estamos entre os últimos no planeta. Não se pode ser primeiro e quinto mundo ao mesmo tempo… Aqui existe dinheiro em caixa que não acaba mais, isso aparece rápido quando se trata de defender o interesse privado: sediar copa do mundo, olimpiadas etc... a condição miserável do povo daqui, principalmente do que trabalha com a terra simplesmente não combina com a realidade desse país…o governo tem a faca e o queijo na mão…

Henning (06/11/2009 - 10h29)

A investida mais recente, embora antiga, da elite brasileira - essa bem mais antiga, desde o "descobrimento" do Brasil - é criminalizar o maior movimento social do mundo, patrocinando, é claro, para não variar, a "grande mídia", a Globobope. O que essa ultra-direita reacionária tem veiculado é a propriedade privada como um direito fundamental superior ao direito de quem luta pelo direito de ter direitos.

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