03/11/2009 - 06h00
Hora de reagir contra a doença social da violência
“É fundamental o despertar da população para a luta contra a pobreza, as drogas, o tráfico de armas, a corrupção, a violência policial contra trabalhadores e o desperdício acintoso dos ricaços, que criam o caldo de cultura da violência generalizada”
Luiz Aparecido *
Basta ver os noticiários na TV, ouvir as emissoras de rádio ou ler os jornais ou sites da internet, para sentir como a violência na sociedade brasileira aumenta e está impregnada em todas as camadas da população. Já não é mais sequer uma doença, mas uma septicemia aguda. E parece não haver política pública de segurança ou mobilização social que dê jeito.
Os últimos acontecimentos do Rio de Janeiro mostram a chaga de forma assustadora. Em guerra aberta de traficantes e policiais, a população civil das áreas conflagradas é quem mais sofre. Mais de 40 mortes numa semana de conflitos, muitos deles vítimas de balas perdidas. O povo trabalhador, que é a maioria da população dessas áreas, sofre em meio aos tiroteios e ainda é tratado como suspeito pelas forças de segurança. A guerra atinge a todos nos morros e favelas, e afeta também a classe média e até mesmo, os antes intocáveis ricaços que habitam não só o Rio de Janeiro, mas São Paulo, Belo Horizonte e outros grandes e médios centros urbanos.
Nessa guerra fratricida, é a droga o principal combustível dos conflitos. Mas a miséria e o abandono social das populações pobres é outro detonador possante. A história do Brasil mostra, desde o fim da escravidão, como os negros e pobres foram sendo afastados dos centros urbanos e abandonados sem nenhuma política pública de inclusão social. Por décadas a situação só vem piorando, com o aumento da população e a concentração de renda e poder nas mãos de uns poucos, que nunca se preocupam com a distribuição de renda e a justiça social.
Num ambiente desses, a violência e o desprezo pela vida humana se disseminam e atingem setores médios e altos da população. Os parâmetros se diluem, e o discernimento entre o certo e o errado e a disseminação do uso das drogas e do álcool incendeiam a atual onda de violência. Crimes hediondos, dentro de famílias aparentemente estabilizadas, assustam ainda mais o vetor social. Filhos atacam pais em busca de meios para adquirir drogas, famílias se dilaceram em busca de heranças e vinganças pessoais, enfim, um pandemônio infernal assusta todo o tecido social da nação.
Isso, sem contar o mau exemplo dos políticos e das classes dominantes, que como aves de rapina dilapidam o patrimônio publico e desmoralizam os símbolos do Estado e do que seria público. A própria Justiça parece contaminada por esse mal, além de secularmente estar sempre ao lado dos ricos e poderosos. Esses exemplos vão solapando as bases de uma sociedade que deveria ser justa e solidária. Não basta mais a ação governamental. É fundamental o despertar de toda a população para a luta contra a pobreza, as drogas, o tráfico de armas, a corrupção, a violência policial contra trabalhadores, sobretudo pobres e negros, o desperdício acintoso dos ricaços, que aviltam e despertam a ira da sociedade, criando o caldo de cultura da violência generalizada.
Não é hora apenas de tomar consciência da gravidade da situação. Os cidadãos de bem devem ir além. É preciso mobilizar a sociedade civil e exigir do poder público ações concretas contra a violência, a corrupção, e a inação dos poderosos e seus acólitos.
* Jornalista, com passagem por várias redações do país, também atuou como assessor da Câmara dos Deputados e do Ministério da Articulação Política.
Ortega (07/11/2009 - 07h22)
Penso que, para mudar essa realidade, deveríamos seguir algumas regras e mudar algumas leis. Primeiro, se não for feita a concientização do controle de natalidade, de nada vai adiantar, pois os maiores fazedores de filhos miseráveis, são os próprios. Segundo, traficantes, assassinos e latrocidas, deveriam ficar todo o tempo em prisão até o fim da pena. Nada de benefícios de bom comportamento ou 1/3 da pena e libertá-los. Deveria ser instalado dispositivos para inibir o uso de celular em prisões comuns e de segurança máxima. Fornecer cursos profissionalizantes a essa população de baixa renda. É o melhor dinheiro empregado, mesmo que fosse como fundo perdido. Na verdade vai resgatar os que querem uma ascenção na sociedade. Em terceiro, as leis para usuários deveriam ser mais duras, como eram antes, quando o maconheiro era sim preso. Lembrem-se que por de trás de um maconheiro ou usuário de outras drogas, existe a morte de muitas pessoas que o tráfego mata, e o simples usuário faz parte dessa corrente maléfica das drogas. Em quarto, preparar melhor a polícia, com treinamentos, armas e usar mais o serviço de inteligência. Quinto, não permitir que advogados e juízes soltem essa escória e que venham repetir suas atrosidades junto da população. Teremos um outro panorama depois disso. Mas para isso se confirmar ...
Eduardo (03/11/2009 - 12h04)
Tudo, menos exigir do "poder público" ações concretas contra a violência, seria como pedir misericórdia ao capeta, pois é sabido que é justamente o poder público que comete as maiores atrocidades nesse país, corrupção generalizada no congresso, escândalos em cima de escândalos, deputados e Senadores ganhando 25.500 por mês além de mordomias sem fim e ainda achando pouco. Dinheiro esse pago com os impostos do trabalhador do salário mínimo. Por falar em violência, o Senado com seus 10.000 funcionários custa 2.7 "bilhões" por ano para os cofres públicos...quantas favelas poderiam ser transformadas em bairros com somente "um ano" do que custa o senado para os cofres públicos???
Carlos Gama (03/11/2009 - 10h45)
O tempo passa, as coisas não mudam para melhor e os políticos de carreira, todos, acabam tendo a mesma cara, as mesmas ações, não importando as suas origens e muito menos os seus discursos de campanha. Provavelmente bancados pelo Clube de Bilderberg, nas mãos deles o país parece navegar ligado no piloto automático e o povo na apatia usual.