Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009

11/11/2009 - 06h20

Golpe na Câmara usou pessoas carentes como laranjas

Fraude, que está sendo investigada pela Polícia da própria Câmara dos Deputados, consistia em contratrar falsos funcionários que geraram lucro superior a R$ 1 milhão para quadrilha

Eduardo Militão/CF
Família envolvida, em imagem trabalhada para não ser reconhecida

Eduardo Militão

Um golpe contra o Estado e contra aqueles que deveriam ser atendidos por ele. Pelo menos R$ 1 milhão de prejuízo contra os cofres públicos e um valor sem preço pela dignidade de famílias carentes. Dois gabinetes de deputados estão envolvidos, pelo menos.

A Polícia Legislativa da Câmara investiga a ação de um grupo que incluía falsos funcionários na folha de pagamento da Casa, a maioria pessoas humildes da periferia de Brasília, para ficar com os salários das vítimas. Em troca, as famílias recebiam uma pequena parcela de recursos, supondo ser algum benefício social como o Bolsa-Família.

“Como eu estava necessitando, eu caí nessa, pensando que ia ter uma boa ajuda. Até que foi uma boa ajuda, mas descobri que eu entrei numa cilada.”

A frase é da faxineira desempregada Márcia Flávia Silveira, nome fictício usado para identificar uma das vítimas localizadas pelo Congresso em Foco. Ela transformou-se em secretária parlamentar do gabinete de Sandro Mabel (PR-GO), hoje líder do partido na Câmara.

Márcia Flávia mora num bairro pobre de Valparaíso (GO), a 50 km de Brasília, com o marido, o auxiliar de serviços gerais Aluísio Leonardo (nome fictício), ambos com 23 anos, e quatro filhas pequenas, a maior com seis anos de idade e a menor com apenas um ano.

O casal estava desempregado em janeiro de 2008 e ainda esperava o nascimento de mais uma menina. Eles ainda moram em casinha simples, comprada com a ajuda da mãe de Aluísio e de um amigo. Dois cachorros, um coelho cinza, uma tevê, um sofá com dois lugares. O quarto é separado da salinha por um cobertor. Hoje, só o marido trabalha. E Márcia Flávia está desempregada de novo.

O vizinho de Aluísio contou ao Congresso em Foco que, em janeiro do ano passado, recebeu R$ 30 para indicar os amigos ao casal que queria cadastrar uma família carente para oferecer um “benefício social”.

A dupla chegou à casinha de Aluísio e Márcia Flávia. “Eles diziam que estavam precisando de um casal necessitado que tivesse filhos”, conta Márcia Flávia.

Ela foi aconselhada a encontrar uma pessoa com o apelido de “Franzé”. Trata-se de Francisco José Feijão de Araújo, ex-funcionário do gabinete de Sandro Mabel. Para ele, a desempregada entregou documentos pessoais e das três filhas que tinha à época. Segundo Márcia, Franzé se apresentava como assessor do deputado e futuro candidato a algum cargo político no Distrito Federal.

Os documentos dos filhos são importantes. A Câmara paga um auxílio-creche diferenciado chamado Programa de Assistência à Educação Pré-escolar (PAE) de até R$ 647,77 por criança. No caso da faxineira desempregada, isso significou um repasse de R$ 29.776,43 entre março de 2008 e agosto deste ano, somente com o PAE, afora salários e outros benefícios.

Márcia Flávia relata que foi com Franzé para a agência 2223-3 da Caixa Econômica, no Anexo IV da Câmara. Lá, abriu uma conta corrente e uma poupança. A partir de fevereiro passou a receber R$ 250. Depois do nascimento da quarta filha, em julho de 2008, o valor subiu para R$ 300.

Segundo os boletins administrativos da Câmara, Márcia Flávia foi nomeada para o gabinete de Sandro Mabel em fevereiro de 2008 com o cargo de SP-05, com salário-base de R$ 420. Em agosto, o salário subiu para R$ 661. Em 31 de agosto de 2009, com a descoberta do caso, foi exonerada.

Faxineira alega que foi enganada por ex-assessor

Suposto golpista recebeu R$ 27 mil; Mabel não quer comentar assunto 

Cris (19/11/2009 - 12h34)

Tudo isso reflete o desrespeito a todo povo brasileiro...Muitos curruptores se instalaram no Congresso Nacional para praticarem todo tipo de "usurpação" em benefício próprio.

Locke (18/11/2009 - 10h43)

Enchemos a boca para dizermos que o Brasil é uma democracia, mas somos apenas uma República. Exceptuando-se o processo eleitoral, não resta qualquer coisa duma genuina democracia, que é o governo do povo. O povo não governa, mas é representado, e muito mal, por homens eleitos. Mesmo que não de direito, mas de fato somos Oliigarquia (governo de poucos), Plutocrática (governo dos ricos) e Aristocrática (governo dos "melhores"). O povo sobre nada opina, a não ser sobre aqueles assuntos insignificantes. Estou certo de que não haveria referendo sobre a proibição da venda de armas e munições se os congressistas suspeitassem que o povo diria NÃO!. É assim, para manter a aparência de democracia, jogam migalhas da mesa para nós, os cachorros, comermos. É como um pai, que crendo ter um filho "ajuizado" diz: "Eu deixo meu filho chegar a hora que quiser!". Mas basta o filho contrariar sua crença, chegando a tantas da madrugada, e o pai dirá: "Nunca mais faça isso!". É assim a Democracia transpolítica: parece ser democrática, mas não é!

Pedro Carpino (15/11/2009 - 09h54)

Alguém diria: isso é uma vergonha! No Japão esse nobre sentimento, quando experimentado por políticos, transforma-se em suicídio. Aqui, no país daquele que insiste em sempre não saber de nada, acaba sendo um incentivo para mais ações criminosas. Mas, justiça seja feita, o problema não ocorreu no Planalto, mas na Câmara, portanto sua excelência não teria como saber. Estou cansado de notícias desse tipo, pois gostaria mesmo de informações como: criadores de ‘laranjas’ são condenados a 10 anos de prisão sem direito a progressão da pena. Talvez algum dia na história deste país isso se torne verdade.

apjales (14/11/2009 - 23h41)

Infelizmente, arealidade é essa:um banco de pessoas sem caráter enganam o povo e assumem um lugar onde deveriam lutar para melhorar a vida da maioria, mas eles só conseguem pensar em ter sempre mais dinheiro e poder para si.E a culpa disso é nossa!!!Também temos força e poder é só mostrar isso a els, talvez assim as coisas comecema a mudar de verdade.do contrário vai continbuar assim pq nenhum deles tem força ou coragem para mudar.Lá no congresso a maioria dos parlamentares é vendida e corrupta, não é fácil começar essa mudança por lá. Deve começar pela base e as pessoas deveriam ter mais vergonha na car e deixar de reproduzir aqui os mesmos erros que eles cometem lá em Brasilia.Não é pq eles roubam lá que todos aqui tem que fazer o mesmo. Somos dignos e não merecemos essa sacanagem que aqueles senhores safados fazem conosco.

Locke (13/11/2009 - 12h41)

Nunca na estória desse país colheu-se tantas laranjas! Chegou a hora de exportá-las. Aqui é o único país onde laranja não é fruta, mas praga. Também é o único lugar onde quem deve ser expurgado é quem as plantou. Enquanto isso tem trator derrubando pé de laranja. E tome laranja!

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