Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009

07/05/2009 - 06h53

Ex-senador Bornhausen voa na cota do Congresso

Mesmo sem mandato, ex-ministro e familiares usaram 13 passagens oficiais entre 2007 e 2008. O ex-jogador do Grêmio Renato Sá foi um dos beneficiados

Divulgação
Ex-senador Jorge Bornhausen cedeu cota parlamentar para a mulher, Dulce, à esquerda, e para o genro, Renato Sá, à direita

Lúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão 


O ex-presidente do PFL (hoje DEM) Jorge Bornhausen utilizou a cota de passagens aéreas do Senado mesmo após ter deixado a Casa, em fevereiro de 2007. Registros de companhias aéreas aos quais o Congresso em Foco teve acesso revelam que o ex-senador usou o benefício para bancar 13 voos entre novembro de 2007 e outubro de 2008. Além dele, voaram a mulher, o genro e um funcionário do casal.

Bornhausen voou sete vezes com a verba do Senado após concluir o mandato. As viagens foram feitas nos trechos Florianópolis-São Paulo, São Paulo-Florianópolis, Florianópolis-Brasília e Florianópolis-Chapecó (SC).

Dulce Bornhausen, mulher do ex-senador, voou outras três vezes. Uma das viagens foi de Brasília a Florianópolis. O bilhete foi emitido no dia 20 de novembro de 2007. Os outros dois voos foram da capital federal à catarinense e de Guarulhos a Recife. Os bilhetes, nesses dois casos, saíram da cota do Senado no dia 7 de maio de 2008.

O ex-jogador de futebol Renato Sá, genro do ex-senador, também usou a cota de Bornhausen. Casado com Fernanda Bornhausen, o ex-ponta-esquerda, campeão brasileiro pelo Grêmio em 1981, viajou de Florianópolis para Chapecó, oeste de Santa Catarina. O bilhete foi expedido no dia 19 de setembro de 2008. Na mesma data uma passagem foi emitida com a mesma origem e mesmo destino para o ex-senador.

O terceiro passageiro que voou na cota parlamentar do ex-senador foi Wagner Brasil. Segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente do DEM, Wagner é funcionário do casal Dulce e Jorge Bornhausen. Dois bilhetes foram emitidos em nome de Wagner, ambos no dia 10 de outubro de 2008. Os trechos voados foram Florianópolis-Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-São Paulo e Florianópolis-Rio de Janeiro, São Paulo-Florianópolis.

Procurado pela reportagem, o ex-senador Jorge Bornhausen confirmou ter usado a cota do Senado em viagens após o mandato. O ex-presidente do DEM disse que tem “direito adquirido” para usar o crédito acumulado nas companhias aéreas como bem entender.

"A cota pessoal foi transformada em crédito para ser utilizada de acordo com o direito adquirido que eu tenho", disse Bornhausen, por meio de sua assessoria de imprensa. O site também tentou contato com Renato Sá, mas ele não retornou o recado deixado em seu celular até o momento.

Político experiente, Bornhausen teve lugar de destaque na política catarinense e nacional nas últimas quatro décadas. De família de  banqueiros, fez carreira durante os governos militares. Presidiu a Arena, partido que dava sustentação à ditadura, e governou Santa Catarina. Participou da fundação do PFL, apoiou Tancredo Neves no colégio eleitoral e foi ministro nos governos José Sarney e Fernando Collor.

Deputado

Como mostrou o Congresso em Foco no último dia 22, o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), filho do ex-senador, usou a cota parlamentar em viagens internacionais. A Câmara pagou, por meio da cota do deputado catarinense, passagem para seus dois filhos, Bruno e Rodrigo, de NovaYork para São Paulo.

Após a publicação da reportagem, Paulo Bornhausen disse que iria devolver o valor gasto caso assim a Câmara determinasse. O parlamentar afirma que usou a cota com os filhos porque as normas da Casa não o proibiam de fazê-lo.

Além das duas passagens para o filho, o deputado utilizou a cota para viajar a Paris. Segundo a assessoria do deputado, o motivo da viagem foi uma missão oficial a Londres, com escala na França. Na missão, Paulo Bornhausen participou de um evento sobre Amazônia com o príncipe Charles, segundo seu gabinete.

Leia tudo sobre a farra das passagens

medeiros (08/05/2009 - 11h19)

O Ministério Público, deveria abrir procewsso contra todos esses senadores, deputados, que de maneira vil,abusaram do dinheiro público.

Fernando G. Madruga (08/05/2009 - 11h04)

A cada dia que passa fico revoltado com tudo o que vem acontecendo, na verdade acontece a muito tempo mas somente agora esta vindo a tona e graças ao Congresso em Foco. A população tem que se mobilizar e cada escandolo destes sair para as ruas e demonstrar indiginação para com estes usurpadores do dinheiro publico... O jeito que esta não pode ficar, mais isto só vai mudar quando os brasileiros quiserem a mudança. Quanto ao ex -senador Bornhausen o que ele fez não me surpreende, não vou aqui gastar meu precioso tempo falando deste politico antiético e sem moral, o minimo que a Vossa Excelencia tem a fazer é devolver o dinheiro das passagens para os cofres publicos já que neste meio não existe impunidade para politico corrupto

Zanette (08/05/2009 - 06h51)

PRENDAM ESTE LADRÃO DOS COFRES PÚBLICOS. ISTO É UM ABSURDO PERMITIR QUE UM SAFADO DESSA MAGNITUDE AINDA USE O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE.

cloe (08/05/2009 - 01h39)

Apesar das falhas de comportamento de alguns,o Congresso é na democracia a voz do povo.Sem Congresso só a ditadura,e cabe ao eleitor fazer sua escolha.Penso que regras mais claras e transparentes estão sendo feitas e isso aprimora a democracia e define regras para os parlamentares.E isso é um grande avanço.

Maria *** (07/05/2009 - 22h15)

O Brasil ainda tem muito em melhorar, em relação a corrupção. Não podemos ser pessimistas, pois está havendo fiscalização, coisa que não existia antes. Isso significa que a politica brasileira está começando a ficar justa. Quem sabe futuramente, se o judiciário colaborar punindo os corruptos, teremos um governo honesto

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