Quarta-Feira, 10 de Fevereiro de 2010

16/11/2009 - 06h20

Relator defende perdão para quem desmatou

Deputado Marcos Montes (DEM-MG) diz que produtores rurais não podem ser punidos porque erraram sob uma legislação que traz prejuízo social ao país

Fábio Pozzebom/ABr
"Temos o direito, sim, de rever essa legislação e fazer o perdão em benefício de uma população"
Renata Camargo

O deputado Marcos Montes (DEM-MG) é o mais novo pivô do embate entre os ruralistas e os ambientalistas no Congresso. Relator do polêmico projeto que, segundo deputados ligados ao meio ambiente, dá anistia a proprietários rurais que desmataram ilegalmente uma área equivalente a 18 vezes o estado de Sergipe, Montes diz que é preciso adequar a lei à realidade e perdoar quem errou sob uma legislação que, segundo ele, traz “prejuízo social” ao país.

Em defesa do “desmatamento zero a partir de agora”, o parlamentar nega que seu relatório pretende dar superanistia para quem desmatou, mas diz que “o perdão é o melhor caminho social”. De acordo com ele, o projeto tenta tirar da ilegalidade cerca de três milhões de produtores rurais e evitar que os proprietários de terra sejam obrigados a recompor áreas degradadas.

“Essa discussão está muito simplificada. O projeto que nós queremos não é simplesmente de perdoar. Queremos consolidar a fronteira agrícola que foi aberta e, então, ordenar o futuro”, disse o deputado ao Congresso em Foco.

“Concordo que alguns produtores erraram. Mas erraram em cima de uma legislação que tem prejuízo social. Temos o direito, sim, de rever essa legislação e fazer o perdão em benefício de uma população. Mas não simplesmente fazer o discurso de que precisa punir”, acrescenta.

No último dia 4, os ambientalistas conseguiram pela segunda vez adiar a votação o projeto, por eles batizado de “Floresta Zero”, na Comissão de Meio Ambiente (leia mais). Naquele mesmo dia, Marcos Montes convidou o Congresso em Foco para uma conversa. O relator alega que é preciso dar mais clareza a esse debate, acirrado por divergências de conceitos e ideologias.

Leia os principais trechos da entrevista com o relator do PL 6424

“Eles [ambientalistas] querem que se recomponha o que foi desmatado. Essa é a nossa briga. O produtor não tem como recompor. Quem vai pagar isso? Isso custa mais de R$ 400 bilhões, quase 15% do PIB brasileiro”, explica Montes.

Na expectativa de que a proposta seja novamente colocada em pauta pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente, Roberto Rocha (PSDB-MA), o relator afirma que as questões ambientais precisam ser analisadas também sob o ponto de vista do produtor rural. Marcos Montes ressalta que o projeto é um marco para estabelecer o desmatamento zero e o pagamento por serviços ambientais.

“O Brasil continuará sendo o país de maior cobertura vegetal do mundo, com 56% de floresta nativa, mas terá dado também ao produtor a tranquilidade de permanecer na atividade”, considera. 

 
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torrena (21/12/2009 - 17h44)

RELATOR DEFENDE PERDÃO PARA QUEM DESMATOU, só poderia ser do DEM. Atenção BRASILEIROS NACIONALISTAS, vamos anotar o nome desse cidadão anti nacionalista, para o punirmos e ao seu partido nas pr´ximas eleições, se DEUS quiser.

PV (28/11/2009 - 23h02)

Eu como recém "quase" formado em Biologia da Conservação vejo como temos um grande vazio em o desejo popular (interesse público) e o desejo de nossos políticos, que são dirigidos por sua ganância e suas alianças direcionadas ao Direito Privado, priorizando os ganhos individuais e onerando os interesses do Direito Público. Fico feliz de ver os comentários dos leitores aqui.. mas precisamos escrever também em outros lugares.. A voz de um cidadão gritando não faz uma pedra firme, como é esse paradigma que temos de político, ruir.. mas milhares e milhoes de vozes faz montanhas moverem. Continuem seus atos individuais, "pensar global, agir localmente" tem de ser nosso lema. Participem das reuniões do Conselho Ambiental de sua cidade.. se não tiver cobre de seus politicos locais. “Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela.” (Albert Einstein)

Alemão Galego (20/11/2009 - 00h01)

nossos politicos não ter descendentes com a continuo desmatamento a todo vapor assim, mais a anistia não teremos mata nenhuma para defender.

(19/11/2009 - 23h59)

capitão do mato (17/11/2009 - 08h31)

Tudo bem, temos que conciliar produção de alimentos, com preservação, mas terão que recompor as matas siliares, os entornos das nascentes ou manter ilhas de matas nativas em suas propriedades.Acredito que isto afastaria ate sem terras de invadi las.Não sou verde na acepção da palavra mas aqui na minha região vejo que o aparecimento de pragas na agricultura,inexistentes ha 20 anos,desertificação e o decrescimo da produtividade tem haver com este desmatamento desenfreado, constatado ate por um colono amigo meu e analfabeto, porem de muito saber pratico.Pelas simplicidade de suas palavras vejo a essencia da questão!!!

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