Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009

06/11/2009 - 16h34

Violência marca lançamento de livro sobre Sarney

(Reprodução)Edson Sardinha

Um vídeo publicado no YouTube mostra cenas de tumulto e pancadaria no lançamento do livro Honoráveis bandidos – um retrato do Brasil na era Sarney (Geração Editorial), dos jornalistas Palmério Dória e Mylton Severiano, em São Luís, na noite da última quarta-feira (4).

Veja o vídeo:



A confusão começou quando um grupo de estudantes ligado ao PMDB arremessou ovos e uma torta em direção a Palmério, na sede do Sindicato dos Bancários do Maranhão, em protesto contra o livro, que aborda a trajetória e escândalos envolvendo a família Sarney.

Os estudantes se voltaram contra os ex-governadores José Reinaldo Tavares (PTB) e Jackson Lago (PDT), inimigos políticos do presidente do Senado, que participavam da sessão de lançamento do livro. Gritos de “Jackson ladrão, envergonha o Maranhão”, “mentira” e “viva Sarney” soavam de um lado. “Fora, Sarney”, de outro. Cadeiras foram arremessadas e pessoas empurradas de lado a lado. Uma das manifestantes deixou cair a bolsa. Ela foi identificada, posteriormente, como assessora de um secretário da governadora Roseana Sarney.

Lei da força bruta

Em nota divulgada à imprensa, o Sindicato dos Bancários condenou a violência e disse que o episódio relembra o tempo em que prevalecia no estado “a lei da força bruta, da intolerância, em que as diferenças eram resolvidas pela pancadaria".

Os autores do livro relataram o episódio em nota enviada à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Segundo Mylton e Palmério, nenhuma livraria da capital maranhense aceitou promover o evento. Na antevéspera do lançamento da obra, a empresa responsável pelos outdoors que anunciavam a cerimônia devolveu o dinheiro à editora (Geração) e mandou “raspar” as peças. Segundo os autores, apesar da confusão, mais de 500 livros foram autografados na mesma noite.

Veja a íntegra da carta assinada pelos dois jornalistas autores do livro:

“Os jornalistas abaixo-assinados, Palmério Dória e Mylton Severiano, denunciam aqui a ação fascistoide de um grupo de jovens, a mando do grupo ligado a José Sarney, em São Luís do Maranhão.

1. Antecedentes. Palmério, autor do livro Honoráveis Bandidos, da Geração Editorial, e Mylton, co-autor, a convite de jornalistas de São Luís, aceitaram lançar o livro na capital maranhense, ontem, dia 4 de novembro de 2009, às 19 horas. Para começar, nenhuma grande livraria local, ou entidade, aceitou promover o evento, além do que nem sequer aceitam o livro em suas prateleiras. Até que, lembrado o Sindicato dos Bancários, suas portas se nos abriram e para ali ficou marcado o lanç amento. Na antevéspera, mais um ato que lembra métodos fascistas: a empresa responsável pelos outdoors que anunciavam o evento devolveu o dinheiro aos promotores e mandou “raspar” as peças.

2. O clima à nossa chegada, na terça, véspera do ato, começou a ficar “esquisito”, quando na coletiva à imprensa, numa sala do Sindicato, alguns colegas nos perguntaram se a gente não tinha “medo”. Falou-se em “corte de energia” durante o evento, brincou-se com a possibilidade de cada um levar uma vela, e alguns dos colegas não descartaram até atos de violência. À noite, em programa ao vivo na rádio Capital, vários ouvintes nos alertaram para aquelas possibilidades – “ele são capazes de tudo”, “cuidado”.

3. Ontem, quarta, no fim da manhã, uma colega, Jane Lobo, mais realista, aconselhou – e acatamos – a pedir proteção.

4. Veio a noite. O auditório do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, estava superlotado, havia muita gente em pé Um ambiente familiar – gestantes, gente idosa, crianças pequenas e grandes, estudantes. Por ali passaram mil pessoas.

5. Iniciada a sessão pelo coordenador Marcos Nogueira, quando Palmerio passa a falar sobre o conteúdo do livro, eis que do nosso lado direito uma vintena de jovens, na maioria rapazes e umas poucas moças, prorrompem em berros, aos poucos distinguimos “Jackson ladrão, envergonha o Maranhão”, “mentira”, “viva Sarney”. As pessoas mais próximas se levantam e se afastam, abrindo um claro. Os baderneiros abriram suas camisas, pondo à mostra uma camiseta em que se lia Navalhada de Bandidos e atrás de grades Jackson Lago, o governador que a família Sarney derrubou num golpe do judiciário. Dentre os baderneiros, um rapaz, possesso, ergueu uma das pesadas cadeiras e a arremessou na direção do palco onde estávamos. Imediatamente uma chuva de objetos voou sobre a mesa – bolas de papel molhado, ovos e até pedras – junto com xingamentos e outros impropérios.

6. Seguiu-se um quebra-quebra, pancadaria, promovida pelos baderneiros.

7. Passada a estupefação, os presentes mais os seguranças providenciados pelo Sindicato passaram a expulsar os baderneiros do local aos tapas e empurrões. Boa parte do público se retirou, preocupada, “eles vão voltar”.

8. Reiniciado o ato, os presentes cantaram Oração Latina, puxada ao violão pelo cantor e compositor Cesar Teixeira. A platéia e políticos, das mais diversas extrações, se deram as mãos durante o canto.

9. Felizmente nenhuma criança se feriu. Uma pessoa das relações de Jackson Lago foi buscar seu carro na rua de trás do Sindicato, Rua dos Afogados, e testemunha: ali havia cinco viaturas da PM, esperando o quê, não se sabe E, praticamente no mesmo instante, menos de cinco minutos depois, Décio Sá, jornalista “guerrilheiro” dos Sarney, que se encontrava em Fortaleza, já postava em seu blog notícia em que os baderneiros viraram estudantes que protestavam contra o lançamento do l ivro e “foram atingidos por cadeiras, pedras, socos e pontapés e revidavam como podiam”.

10. Enquanto os autores retomavam a sessão, um grupo foi à delegacia de polícia mais próxima registrar B.O., Boletim de Ocorrência. Dissemos que os baderneiros vieram a mando do grupo ligado a José Sarney e eles próprios, desastrados, se encarregaram de deixar prova cabal: uma moça, Ana Paula Ribeiro, tida nos meios estudantis como “estudante profissional”, ao sair correndo deixou cair a bolsa, com sua identidade dentro. A moça trabalha simples mente com Roberto Costa, secretário de Esporte e Juventude da governadora Roseana Sarney.

11.Toda a confusão armada pelos baderneiros foi fotografada e filmada por profissionais contratados pelo evento.

12. Mesmo com este ataque fascistoide, Palmerio e Mylton assinaram mais de 500 livros, o que demonstra a sede de informação sobre a família que há meio século governa o Maranhão.

Palmerio Dória e Mylton Severiano

São Luís, 5 de novembro de 2009"

flor (09/11/2009 - 21h28)

Já comprei e já li esse livro. Todo brasileiro consciente não pode perder a oportunidade de conhecer verdadeiramente essa corja que domina o Maranhão a meio século. O conteúdo e esclarecedor e estarrecedor!

" cidadão. (09/11/2009 - 20h59)

" meu caro, palmério,parabens, pela coragem,pela iniciativa. de publicar, este livro,sobre a oligarquia , do coronel, sarney no maranhão! péço não pare,,continua esta saga.de autoritarismo, e corrupção..vou te dar uma sugestão..um outro livro, com o mesmo titulo..honoraveis bandidos,,sobre collor..aquele que dizia caçar os marajás..na época seu alvo era sarney..hoje ele o defende com unhas,,dentes , e cara feia !!

Redação do Congresso em Foco (09/11/2009 - 16h56)

Ao leitor "INDIGNADO", que deseja adquirir o livro, sugerimos que visite o site da editora, http://www.geracaobooks.com.br/, onde encontrará todas as informações necessárias.

ribeiro (07/11/2009 - 10h46)

Esse é o Maranhão dos últimos 40 anos, comandado por essa guangue chefiada pelo oligarca Sarney. É uma pena que o povo miserável do Estado, faminto e pobre se sujeitem às ordens do coroné. Aliás o Coroné nunca aparece, é aquele que manda mas passa por bom moço, um verdadeiro "honorável bandido". REAJA POVO DO MARANHÃO, NÃO SEJA TÃO SUBSERVIENTE!!!!

Ortega (07/11/2009 - 04h25)

Penso que isso mostra a força que o coronel Sarney exerce no estado mais atrasado do Brasil. O poder pela força. Mas ele está enganado e vejo um triste fim para essa família Sarney. Mais cedo ou mais tarde, esse povo vai acordar e vai dar um basta a essas amarras que querem calar o povo tão sofrido do Maranhão. É pena que um ex-presidente vai ser lembrado pela história do Brasil como um coronel ditador e que suas lembranças serão somente negativas. Os seus livros, fundação Sarney e demais relatos e documentos serão entulhados pelos próprios maranhenses e demais brasileiros de bem. Essa família vai pagar, pois é malévola e a Roseana já vive, ou melhor sobrevive da doença que a castiga e castigará todos os Sarney´s.

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