04/10/2009 - 18h18
Laerte Bessa é vaiado e xinga manifestantes de "vagabundos"
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| Deputado perdeu a paciência e respondeu provocações com xingamentos |
Thomaz Pires
O deputado Laerte Bessa (PSC-DF) caiu no bate-boca na madrugada deste domingo (5), após ser vaiado por uma multidão de jovens durante um evento musical em Brasília. Inconformado com as vaias, o delegado e ex-diretor da Polícia Civil do Distrito Federal partiu para o ataque e xingou o público.
“Isso é um desrespeito, seus vagabundos. Muitos de vocês que estão me vaiando são os mesmos que eu já coloquei na cela”, esbravejou o deputado. O fato ocorreu durante a apresentação da cantora Elza Soares no Festival de Música Candango Cantador, na Praça da República. O ex-deputado distrital Miquéias Paz, conhecido animador cultural da cidade, chamou Laerte Bessa ao palco, fazendo referência à emenda apresentada pelo parlamentar para destinar mais dinheiro à cultura de Brasília.
Mal Bessa subiu ao palco, começaram os protestos. Ele perdeu o controle logo no início das vaias, e respondeu com gritos no microfone. Irritado, precisou ser interrompido pela produção do evento, que pediu para ele evitar o clima de briga.
"Vocês todos são uns frouxos"
Bessa tentou amenizar o constrangimento após a produção chamar a sua atenção, mas logo emendou novas agressões quando as vaias voltaram a aumentar. “Vocês todos são uns frouxos e vagabundos”, disparou.
Durante todo o domingo, a reportagem tentou contato com o deputado. Mas ele não retornou às mensagens deixadas na caixa postal de seu celular.
Essa não é a primeira vez que o deputado se envolve em confusão. Em junho deste ano, ele entrou em rota de colisão com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que havia participado de uma passeata no Rio de Janeiro em favor da legalização da maconha. O deputado, que é membro da Comissão de Segurança da Câmara, convocou o ministro para dar explicações e o acusou de crime de apologia das drogas. Minc negou a acusação e foi irônico na resposta.
"Ele quer que todos os usuários sejam presos, o que significaria, pelos meus cálculos, construir mais 10 mil presídios no Brasil. Aliás, dentro dos presídios não costuma faltar drogas", afirmou.
Filiação partidária
O deputado deixou o PMDB na última semana, após manobra política do presidente da legenda no Distrito Federal, o também deputado federal Tadeu Filippelli. Laerte Bessa manifestou publicamente insatisfação com a forma como a sigla vinha conduzindo as articulações para a disputa eleitoral de 2010.
A insatisfação iniciou-se quando Filippelli colocou dificuldades para a candidatura do seu aliado, o ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz, ao governo do Distrito Federal. Bessa entrou com pedido de intervenção na Executiva Nacional. Mas Filippelli vinha conseguindo arrastar a análise do pedido.
A resposta do deputado ao partido foi dada com um pedido de dissolução do diretório regional. Novamente Filippelli esvaziou as reuniões da Executiva, impedindo as deliberações. Com isso, o ex-governador Joaquim Roriz, padrinho político de Laerte Bessa, pediu desfiliação do PMDB, dizendo-se traído pela sigla em que atuou por 20 anos. Em seguida, Bessa pediu a desfiliação com o aval do presidente nacional da legenda, Michel Temer (PMDB-SP). Ambos estão agora filiados ao PSC. Roriz, que renunciou ao mandato de senador para evitar a cassação, é apontado pelas pesquisas como o mais forte candidato na disputa para o governo local.
Antonio José (06/10/2009 - 22h50)
O filme se repete. São esses os nossos representantes. Esse filme já vimos. Quem não se lembra da acusação feita por FHC (Fernando Henrique Cardoso) que chamou os aposentados de "vagabundos"? Nos palanques, quando pedem votos os eleitores são ouro puro, mas depois, uma vez eleitos, durante o mandato os eleitores se constituem em lixo, o que de fato tem em suas mentes indígnas, para se tornarem ouro, eles, os eleitores, quando eles, esses parlamentares, os verdadeiros vaga (...) de fato o são. Evidentemente, temos os dígnos parlamentares que são dígnos de serem parlamentares e temos a certeza, nós eleitores, que cada parlamentar sabe se é, ou não, merecedor do voto que lhe confere uma cadeira no Congresso. A esses o nosso respeito.
chico (06/10/2009 - 10h17)
No ano que vem que é o das eleições caso ele seja canditado, vai chamar estes "vagabundos" de meus queridos eleitores.
Felipe (10/06/2009 - 08h36)
Milenna, "o governo tá certis", diria o Mussum. http://www.youtube.com/watch?v=1IeI_NX2h2g Será?
(05/10/2009 - 17h30)
Infelizmente é isso que a maioria dos parlamentares (se não todos) fazem. Se neste ano tivesse eleição ele não se comportaria dessa forma. Mas a eleição é sóano que vem e aí eles se transformam.
Milenna (10/05/2009 - 15h49)
De certo que o Deputado pegou pesado. Mas esse povo mereceu, pois é uma enorme falta de educação vaiar a pessoa que destinou verba para o evento. Democracia é assim: O povo elege e depois se arrepende! Todos somos culpados pelo show. Bessa vc fez a sua parte.